
Morte, Agonia e Tormento em PornôCity
Por Fran Forunculus
Para além das safadezas, vadiagens, pura pornografia das entrincheiradas ruas e das más cheirosas flores sifilícas; não dá para deixar de refletir os últimos acontecimentos macabros na PornôCity. É total insanidade, o local como este, fingir que existe normalidade e moralidade, principalmente quando se mascara as volúpias encardidas do poder do Estado (reino). Pensando o apocalipse bíblico, a cidade, há muito tempo, foi tomada por escorpiões gigantes, serpentes e pragas venenosas ou pela mesma monstruosidade que corroí insalubremente os tentáculos do Leviatan. Tudo isso nos faz imaginar o abismo incomensurável que deve se encontrar esta cidade.
É perceptível notar o rei se vangloriar em meio os espinhos, sobretudo quando se plantou o próprio veneno sedimentado de antídoto; ainda mais quando ele cria o imaginário que tudo está perfeitamente bem, a imagem semelhança dele, e tal, egocentrismo, absolutismo, requer mania ficcional dos fatos; adora se empanturrar entre lascívias e guloseimas; ficar cerceado no reino das ilusões, de súditos privilegiados e “puxa-sacos-bobos-da-corte”.
Enquanto do lado de fora, gritos, sussurros e dores se escutam desde longínquas terras, rios e florestas. Os cavaleiros negros, sob mando real e “bença” divina, perseguem as bruxas ditas “hereges”, “traidoras” e “anarquistas”, ao mesmo tempo as acusam de “intranquilidade e de força e manipulação demoníaca”; como também, negam-se e omitem-se a salvar as almas de gente sendo assoladas pelas pestes negras, principalmente o dilúvio nas barrancas dos rios, onde se perdem degradantemente os casebres; e o desespero e o medo alimentam o poder provinciano, mesmo tortuoso, corrosivo e de inumanidade, conspirando a favor dos “Burgos”, únicos que podem manter e assegurar um governo voluptuoso e corrupto que traga benefícios a estes.
O desespero dessa gente continua. PornôCity sobre sombras. A morte se entrelaça na multidão, encontrando-se em cada fio de cabelo, em cada respiração e em cada olhar. Doenças, forças naturais (dizem, castigo divino) e o descaso do reino (responsável pela omissão de socorro) são temores que recaem como mortalha sangrenta cotidianamente na vida das pessoas; são estas mesmas, inevitavelmente, tornam-se seres cadavéricos, zumbiteiros, à soltas pelas ruas. Nada é seguro, ninguém está imune à violência desmedida tanto pelo lado do reinado (Estado) quanto do lado, dos diversos interesses, dessa gente.
A exemplo do citado “zumbiteiros”, “putas gnósticas”, “bruxas acadêmicas”, “mulas-sem-cabeça”, “bestas antropomórficas e zoomórficas”, além dos “demônios traficantes” que roubam almas carregando ao inferno, dos “vampiros” que sugam o sangue do Leviatan e dos “polifedófilos”, conhecidos como os “Omarzizs”, que comem as maculadas infantes com respaldo do reino, e por último, representantes desta ágora sacanalógica, os “políticos”, “amigos de todos e de ninguém”, que são todos eles parte integrante desta sociedade das trevas. Claro, as pessoas de bem existem, resistem, protegem e fogem da maldade, da corrupção e degrada e abandonada cidade, tão caracterizada corretamente no nome: PornôCity
O perigo está em todos os cantos. No recanto feudo dos oráculos, local que ainda tenta resistir aos focos da barbárie, de alguma forma, teme a supressão de opinar e o engesso sistemático do obscuro pensamento humano. Apesar da resistência, toda sua estrutura está viciada e corroída por miasmas provincianos e doutos iconoclastas do “rigor cientifico”, que por sua vez, nadam endinheirados sobre “proteção divina” garantindo legitimidade e o terrorismo do medo, pois toda intimidação gera apreensão, pertubação, nervosismo e claustrofobia a essa gente; além dos “dedos-duros” de plantão que vigiam os outros para os “Outros”.
Os covardes também têm vez nesse tipo de organização social. Ainda que seja para agredir, tocar fogo, censurar e silenciar os poucos que lutam com dignidade contra toda corja de assassinos, estupradores, ladrões, traficantes, usurpadores, pedófilos, corruptos, malfeitores, demônios, vampiros, políticos, e etc. Os mesmos participam da podridão e do bordel, da cumplicidade e das farsas que obscurecem os fatos. Mantido sob as sombras, toda essa gente procura refúgio e esperança, palavras de conforto e alegria para continuar vivendo, mesmo sob ameaça dos acovardados.
PornôCity é cidade dos condenados, das bestas peçonhentas e dos bestas desvairados e atormentados, além da bestialidade dos bestializados. É o próprio inferno dantesco sob brasa ardente orgástica dos demônios, alcoviteiros e rufiões, assim como eles, integrantes da quadrilha, os semoníacos[1], traficam e vendem as coisas de direito social “divino” aos próprios interesses, compartilhados a outros, os aduladores do Estado e “Burgos”.
O sonho da cidade de ser metrópole global como se pensa que é, torna-se demasiado caro quando o pesadelo é, pelo menos, acordar e deparar-se que nunca deixou de ser provinciana. Qualquer comparação é mera coincidência, não é mesmo?
[1] Simoníacos, expressão usada por Dante Alighieri na Divina Comédia, são os traficantes de coisas divinas. O nome origina-se de Simão, o mago, mencionado no livro de Atos, capítulo 8: “Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo” (vs. 18, 19 – trad. João Ferreira de Almeida)

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